vejo de longe uma imensidão branca na rodoviária e sonho de olhos muito abertos que às sextas feiras todos os macumbeiros da cidade se desencontram ali para pegar os ônibus pras suas roças, e percebo que para sonhar assim seria preciso que as malhas viárias da cidade fossem pensadas também a partir dos caminhos dos pretos. aproximo e acordo um acordo neurótico de que imensos são os homens de branco que fazem mar de gente ao lado das famílias coloridas que entregam roupas, mantimentos, escovinhas de dentes, os homens santos de brancura recebem os lenços, casacos e bonés brancos como uma oferenda para seus desencarceramentos algum dia, no futuro do bom comportamento. os caminhos dos pretos não são pensados nem quando vamos nos foder na cadeia, que vontade de entregar-lhes pontas de lança pra ferir as malhas pretas das armaduras dos canas trajando apenas armaduras baratas das roupas do saidão, acabar co a valentia desses porcos demonstrando serviço de porco diante de qualquer mostra de que o preto preso ainda se faz espontâneo numa rodoviária arquitetada para sempre dar dinheiro aos brancos, dinheiro físico e dinheiro das palavras que é o simbolico que me foi roubado assim que percebi que a convenção de macumbeiros da rodoviária era meu delírio de fuga do fato de que sempre estão tentando nos botar a maldita da máscara pálida.arranco-a e imponho em meu delírio de dentes grandes assustadores de negro uma máscara africana sorrindo o sorriso de cria que fecha o corpo de todos os obás antiestado, amorais, criminoloucos. apologia é o que eu quero fazer, à morte de toda essa burrice de prender em porões, busões e outras ideias brancas. E que seja morte violenta pra estragar o enterro igual disseram no filme daquele branco consciente pois desses mascarados aí também pretendo roubar o direito a qualquer memória e liberdade de delírio.
segunda-feira, 21 de novembro de 2022
adiferençaentreosloucoseosdoidos
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