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Brasília, Brazil
introduçao a macumba forte

sábado, 30 de março de 2013

soy hombre

   E eu tentava fazer daquilo um joguete, ela fazia os ovos, eu fazia as honras, distribuía sorrisos, e quem sabe mais tarde ela me mostrava de novo as pernas, os peitos, e o que mais eu quisesse por ter sido um bom garoto. Mas a verdade é que cada segundo naquele ambiente me arrancava um pelinho do saco com a pinça. O ar era irrespiravelmente puro, os cabelos devidamente penteados, as roupas não deixavam nenhum pedaço de corpo se mostrar, eram verdadeiras burcas de quinhentos reais,  e tinham os dentes. Puta que pariu, que dentões,  os velhacos abriam as boconas e saltavam aqueles ossos tão brancos que me cegavam,  nenhum postiço, todos devidamente alimentados com seus vegetais frescos e sua água fluoretada.
   Arrastei  Jô e mandei que ela desse tchau ou então eu ia ficar maluco. Ela riu da minha cara, ela adorava rir da minha cara e eu sempre dava motivo,  e falou pra eu ficar quieto e que estava me saindo muito bem. “Tu o dizes” – retruquei encarnando o próprio Cristo. Mas ele pelo menos conseguiu morrer pra não ter que aguentar essa baboseira de ricos.
   As madames resolveram que a água estava ótima e lá foram vestir seus maiôs de banho. Que cena maravilhosa, aquelas pelancas contrastando, fazendo jogos de luz, sombra e sobras, eu me contentaria com aqueles mil furinhos se não tivesse as pernas que nunca acabavam. A piscina era meio nojenta, na minha concepção todas são. Imagine um cubo cheio de água, uma grande bolsa amniótica, e então você coloca pessoas ali, um monte delas, e lá elas ficam batendo os pés fedidos com os genitais separados somente por uma camada de tecido ao invés das habituais duas. Se bem que já faz tempo que eu não uso uma cueca... É, ela fazia por caridade.

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