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introduçao a macumba forte

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Gaia Perversa



  Esses dias tenho sentido que algo está para acontecer. Qualquer coisa grande. Algo como um vórtex, um meteoro, uma chuva de sapos... Uma daquelas coisas que não se esperam.
  Pode ser uma daquelas chuvas torrenciais, onde ser algum ousa sair de sua casa. Uma dessas que lave as cidades, estupre os asfaltos. Com trovões que deixem crianças e solitários com medo. Um terremoto que me mova alguns graus pra longe dos eixos, e leve as cabeças das pessoas ao inferno. Um incêndio que carbonize cada alma amargurada e dê lugar ao puro instinto de sobrevivência. Olhos arregalados, dentes à mostra, rabos entre as pernas.
  Estou sentindo, algo grande vai acontecer. Está começando, dentro de mim. Está inflamando meu íntimo, quer sair pelas orelhas e ventas, é como explodir!

Mas eu continuarei; as pessoas morrem, os animais morrem, o mundo não. Ficarei ali, sendo.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Sala de Espera

marcas d'água nunca me intimidaram
   Lá pelo ano de 2003, 2005, não lembro, eu me encontrava no consultório do otorrinolaringologista atrás de saber o que era a adenoide que minha mãe já havia dito em casa que era adenoide  mas que eu precisava ir no médico saber que era adenoide. Eu tinha lá meus oito anos e minha paciência era menor que meu buchinho e um pouco maior que os vermes que lá viviam naquela época.
  A sala de espera tinha tinha aquele ar de chatice e doença de sala de espera. As pessoas não sabem ir pro hospital sem ficar com cara de doença, nem eu, mas na época sabia. Sabia pouco, afinal depois de uns minutos as crianças tendem a ficar entendiadas.
  Então quando eu já me encontrava esparramada nas perninhas pequenas de minha mãe, concentrando todos os esforços em sair dali logo que possível, sai a médica de dentro de seu casulo e chama:

- Dona Bucetudes!

Após o chamado surdo, uma mulher se levanta e entra na sala. Volto a brincar de descobrir doces na bolsa de minha mãe.