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Brasília, Brazil
introduçao a macumba forte

sexta-feira, 4 de abril de 2025

Savoir-faire

ah se eu conseguisse chorar receberia flores e abraços teria um dia dedicado a mim me desfaria em água doce e salgada Oceano Chorântico lacrimífico choríndico catÁrtico mas não chorei a morte de minha cachorrinha morreu de útero e nervoso e velhice mais de velhice, nervosa foi em vida ah se eu conseguisse chorar e ser vista como alguém que tá no sal, e não uma atriz digna do Oscar revivendo a vida e o mistério, e a aparência de quem cria e recria oceanos, mares e bebês com cara de peixe eu consigo chorar mas não tenho o poder de descer da imagem e nem a maturidade pré histórica de nomear o fragmento em que choro, concha e sal se organizam fora do terreno da memória e recebo mais flores de mulher do que de deusa

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

adiferençaentreosloucoseosdoidos

 vejo de longe uma imensidão branca na rodoviária e sonho de olhos muito abertos que às sextas feiras todos os macumbeiros da cidade se desencontram ali para pegar os ônibus pras suas roças, e percebo que para sonhar assim seria preciso que as malhas viárias da cidade fossem pensadas também a partir dos caminhos dos pretos. aproximo e acordo um acordo neurótico de que imensos são os homens de branco que fazem mar de gente ao lado das famílias coloridas que entregam roupas, mantimentos, escovinhas de dentes, os homens santos de brancura recebem os lenços, casacos e bonés brancos como uma oferenda para seus desencarceramentos algum dia, no futuro do bom comportamento. os caminhos dos pretos não são pensados nem quando vamos nos foder na cadeia, que vontade de entregar-lhes pontas de lança pra ferir as malhas pretas das armaduras dos canas trajando apenas armaduras baratas das roupas do saidão, acabar co a valentia  desses porcos demonstrando serviço de porco diante de qualquer mostra de que o preto preso ainda se faz espontâneo numa rodoviária arquitetada para sempre dar dinheiro aos brancos, dinheiro físico e dinheiro das palavras que é o simbolico que me foi roubado assim que percebi que a convenção de macumbeiros da rodoviária era meu delírio de fuga do fato de que sempre estão tentando nos botar a maldita da máscara pálida.arranco-a e imponho em meu delírio de dentes grandes assustadores de negro uma máscara africana sorrindo o sorriso de cria que fecha o corpo de todos os obás antiestado, amorais, criminoloucos. apologia é o que eu quero fazer, à morte de toda essa burrice de prender em porões, busões e outras ideias brancas. E que seja morte violenta pra estragar o enterro igual disseram no filme daquele branco consciente pois desses mascarados aí também pretendo roubar o direito a qualquer memória e liberdade de delírio.

terça-feira, 17 de novembro de 2020

identitarismo

 Eu

Tu

Elu

Nós 

Vós

Elos que inventamos para suportar o fato de que não podemos segurar todas as palavras e nem abraçar todas as experiências sós, mas que juntos pelos menos podemos inventar que sim e escolher as mentiras que queremos contar

sábado, 14 de novembro de 2020

pós-castração

Eu e minhas repetições não conseguimos nos separar. Quando ouso, retorno, e quando paraliso é que tudo se torna eterno enterro. nao existe lugar para o meu desejo no mundo, ou não existe possibilidade de desejo aqui neste lugar, que por pouco não chamei de meu.

Antes que a única possibilidade de vida seja a morte dos que amo, antes da forclusão, prefiro que me falte o ar para terminar a sentença.

repetir, repetir, repetir, e ponto.
Se sem o outro não posso elaborar, com ele só posso fazê-lo ao repetir
triste paixão
agora serei alfabetizada em francês pois dizem que é lá onde vivem os filósofos 

do desejo que existe na minha digressão

terça-feira, 14 de julho de 2020

eu queria sentir algo que não fosse uma análise de conjuntura

te desejando
te vendo a se enroscar nessa jiboia de quebrar pescoço de galinha
te desejando
te querendo a céu aberto
exposto em praça pública
te desejando as quatro partes de quatro
te buscando dentro do quadrado
dizendo graças que tu não pode ir embora
porque neste quadrado
o único mar pro qual tu pode fugir é onde estou te esperando
tu não escaparás por nenhuma ponta de asa
meu jato vai te lavar de alma


(de 2015 sempre atual)

terça-feira, 7 de julho de 2020

agora terrivel show de louvores pela morte dele... o do histórico de atleta

ou oriki de ikú 2020.






urgente
 ikú acabou de confirmar o covid
um grande sharamanaia nacional
ouvindo a voz de ikú
pensando em como enganá-lo, 
como dar a ikú 
dar de comer a ele comer bem enfeitadinhos
com penas de galinhas das mais lindas, meus inimigos 
 
 
pra que meus inimigos não me entreguem à ele
tchesca as kianda campos
pra que não entreguem minha cabeça!!!!!
11:29 AM · 7 de jul de 2020Twitter Web A



neiguinhas de diversas religiães, vejam com suas próprias mões

L - - u ---Z

CÂmera e ação: o pum do palhaço;
e no fim do dia, se o fascista cai doente
sobre a pilha dos corpos dos nossos mortos
pedimos força ao vírus






sábado, 22 de fevereiro de 2020

feliz ano novo velha roupa colorida

parece que em todas as minhas relações me perdi. E quando me encontro novamente só, é difícil ter certeza se ainda sou exibida, apressada, se ainda vou na frente, me estrepo e volto de cara limpa como se o estrepar não fosse de meu feitio. Ainda quero ser aquela mesma que pedala, escala, joga futebol e machuca os joelhos feliz. Pois fez e viveu.

Não ter mais vergonha do fixo e nem culpa da vergonha só consegui na natureza, não no amor romântico, que, gozante, acaba sempre vindo como a velha novidade

,
e isso é de novo o difícil das relações, querer viver o novo nelas quando o seu rumo irredutível é o conhecido. E buscar o dinâmico no amor ainda se parece com as minhas vergonhas.