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introduçao a macumba forte

terça-feira, 29 de abril de 2014

MÓDULO 46 - Dos dois lados nenhum



ÂNGULO 3
Ela irá em repentino ir. Vôo e chão. Dirigirá a toda velocidade não sabendo aonde ir. Indo. A mão desconectada no volante. 0 pé desconexo no acelerador. Bifurcação? Dos dois lados nenhum. Urgência em encontrar caminho. Subitaneidades adormecidas explodirão em móveis cores caladas. Ela vai pensar em telefonar para o amigo arquiteto. Mas se lembrando. Havia prometido à filha nunca mais se encontrar com ele. Ela seguirá o caminho de grutas sombrias e imersões sem reflexos. Nunca mais? Nunca menos. Nunca nada. Nunca nunca. Vento ventania vendaval. Urgência velozmente fluxo mover ir. Onde aonde ir? De onde? Desde. Lado nenhuns. A viagem prescrita entre as negações de bocas inteiras em metades de palavras. A meia-lua se pondo no horizonte sem horizontes. Ela ficará em escuros mapas. Velozmente refluxos. Ela nunca verá onde começa o arco-íris. Recuará além do violeta e avançará aquém do vermelho. Vermelhos. Desvermelhos. Ultravermelhos. Subroxos. Ela irá onde de onde onda flecha minuto. Onde aonde? Nem reverá os dois lados de sua vida. Pensará na ultra-passagem não pensando. Desfibração desencruzilhada irremediável nenhuma foz. Lado nenhuns. 0 cerco do ir. 0 círculo móvel fechando moles direções. Desaguadouro de seus rios termináveis.


As Doze Cores do Vermelho, de Helena Parente Cunha.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

cotidiano

Ontem fui à sua casa, você estava no computador. Disse oi, sentei numa poltrona velha. Você estava no computador. Eu estava triste. Você veio do computador até mim, pediu-me uma massagem. Depois dormimos, de costas um pro outro. Estou no computador. A massagem foi boa.

Eu te amo, mas cada vez mais acho que sou só eu.