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introduçao a macumba forte

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Roleta Russa


   Acordo mais cedo, como de costume. Não me canso da falsa sensação de aguentar mais que os outros, é quase motivador. Tomo um banho, preparo um café que saiu melhor que os que tenho feito ultimamente. Talvez esses pequenos acontecimentos façam as pessoas pensarem que eu sou boa em tudo.
   Faz mais de um mês que não tenho um cigarro. Nunca senti falta, não até agora. É engraçado como o momento sempre chega. Eu espero, e ele apenas vem. Não me atinge com força, só me sopra a mesmice que pode se tornar a vida quando se deseja justamente o contrário. Se eu tivesse grana acho que me compraria um dia diferente, todos os dias. E esses dias não tenho tido grana nem pra sair bêbada de dentro daquela espelunca em que ainda me vendiam fiado.
  Pelo menos eles já desistiram de ter alguma fé em mim. Prefiro o conforto de ser nada à pressão de ter que ser tudo na vida de alguém. Não gosto disso de ter todas as fichas apostadas em mim, eu sei que uma hora vou dar o azar e fazer todo mundo perder um dinheiro, umas amizades, o amor próprio. Peguei uma bolsa e meti qualquer roupa pra umas duas semanas. Eu não me importaria em não ter roupas se pudesse ficar só. Por mais contraditório que pareça, um de meus defeitos é a timidez. Ou mesmo a falta de caráter.
  E por isso decidi que sairia assim sem ser vista, à francesa, eles dizem. Quem quer sair com uma porra de francesa da perna cabeluda, vá-te a merda com a francesa. Fui à padaria, comprei dois cigarros. Subi, deixei um sobre a mesa, acendi o meu, peguei a bolsa e saí. Essas coisas se superam.